De Nova Gorica a Ljubljana foi uma viagem muito interessante. O trem que parte dali é na verdade uma espécie de ônibus sobre trilhos, que sobe a serra, com paisagens deslumbrantes, até Stanjel e ali é necessário desembarcar e de ônibus ir até Sezana, onde o trem aguarda para ir a Ljubljana.
A Eslovênia é um país onde tudo é mais barato do que o restante da Europa e eu que já estava acostumado com os preços na Espanha e Itália (Portugal também é mais em conta), me surpreendi com os preços em Ljubljana, principalmente da alimentação.
Fui a pé até o hostel e após a praxe do check-in, tomar banho, trocar de roupa, fui caminhar pelos arredores.
No outro dia, sábado, bem cedo visitei o Castelo de Ljubljana (Ljubljana Grad), onde até Napoleão Bonaparte esteve; o funicular que dá acesso ao castelo ficava a duas quadras do hostel mas decidi subir a pé para aproveitar a paisagem e os jardins. Apesar da neblina e umidade, fiquei suado pela caminhada.
Acabei assistindo a um casamento no castelo, com direito a bandinha típica e músicas regionais.
Desci pelo funicular e fui ao centro de turistas onde aluguei uma bicicleta; de bicicleta passei o dia rodando pela cidade. Interessante o ênfase dado à bicicleta em Ljubljana; existem ciclovias por toda a parte e em alguns lugares é prioridade não só sobre os carros mas também em relação aos pedestres. Em algumas ruas não existe passeio público mas somente ciclovia.
A tarde rodei pelo centro, conhecendo tradicionais pontos turísticos, como a Shoemaker's Bridge (Cevljarski Most), a Butcher's Bridge - Petkovskovo nabrezje e a Ponte Tripla (Tromostovje).
Tive sorte que naquele dia era dia de feira; bem no centro, ao lado do rio, várias barraquinhas que vendem de tudo, desde flores e artesanato até alimentos, não só do país como também da Itália. Oportunidade de conhecer coisas estranhas para nós como salame de veado e linguiça de javali.
Fiquei fascinado pela cidade e chateado por ter decidido ficar apenas um dia; quando montei meu roteiro imaginava encontrar uma cidade feia e chata e me surpreendi com a beleza e receptividade do povo.
Dormir cedo e acordar cedo também para mais uma etapa; de trem de Ljubljana a Zagreb, na Croácia.
O trem de Ljubljana a Zagreb costeia o tempo todo o rio Krka, em meio a floresta; paisagens maravilhosas que vale a pena ficar à janela vendo tudo passar. Essa é, na minha opinião, a grande vantagem de viajar de trem.
Zagreb é uma cidade antiga, com ruas e prédios históricos. Em determinado momento lembra Lisboa, com as partes alta e baixa da cidades ligadas por um funicular.
Todo o dia caminhando pela cidade até anoitecer; voltar ao hostel, dormir e acordar cedo novamente para outra etapa, outra viagem de trem, dessa vez para a cidade que eu sonhava visitar, Budapeste.
A viagem de trem vale a pena, pelas paisagens, os campos, os bandos de corvos na beira da estrada, as plantações e as cidadezinhas no caminho, além de grande parte da ferrovia correr ao lado do lago Balaton, o maior lago de água doce da Europa Central, considerado o "mar da Hungria", já que a Hungria não tem saída para o mar.
Único problema foi um atraso; o trem ficou parado bastante tempo no meio do nada e não dava pra saber o que estava acontecendo. O comunicado do maquinista, em húngaro claro, era ininteligível. Um italiano mochileiro disse que tinha entendido e que o aviso era de que ficaria parado um tempo por suspeita de bomba nos trilhos. Será verdade ou o cara estava de gozação?
Certo é que depois de um tempo a viagem prosseguiu normalmente.
Chegando tarde à cidade, só restou ir ao hostel, tomar banho e sair pra comer algo.
No outro dia caminhei até o Danúbio - Duna, em húngaro - mas não pude chegar até o prédio do Parlamento, pois havia obras ali; resolvi pegar o "Giraffe" Red bus - ônibus turístico, já que a cidade é grande e muita coisa pra ver. Me arrependi de ter programado ficar pouco tempo ali.
O bus passa por muitos pontos turísticos interessantes e um dos pontos de parada é no New York Café, considerado o "mais belo café da Europa'. Um simples cafezinho custa quase 50 reais mas vale a pena pelo ambiente.
Em determinado momento resolvi seguir a pé e pela Széchenyi Lánchíd - Ponte das Correntes - cheguei ao funicular que dá acesso ao Castelo de Buda, lugar fantástico, com uma visão maravilhosa da cidade.
A noite saí para fazer um lanche e aproveitei para fotografar as luzes da cidade, a partir da ponte Margit Hid, com o Parlamento ao fundo e o outro lado do rio (Citadela)
Na manhã seguinte novamente na estrada, de trem para a Áustria.
A idéia não era ir a Áustria para vistar mas apenas como passagem para Praga, outra cidade que eu desejava muito conhecer. Mesmo assim reservei dois dias para ficar na cidade, com a idéia de descansar um pouco.
Viena me impressionou; esperava uma cidade velha e feia mas surpreendeu pela beleza, limpeza, organização e um povo acolhedor.
No centro há um contraste ente os prédios antigos e históricos e a modernidade das lojas de grifes conhecidas.
Visitei vários pontos turísticos como a Stephansplatz e a Catedral de Santo Estêvão.
Caminhei bastante para conhecer a casa do Freud, mas devido a obras o prédio estava cercado de tapumes. Numa pracinha próxima fiz um pic-nic com café gelado e biscoitos típicos.
No outro dia fiz compras no centro e resolvi visitar o Palácio de Schönbrunn; imaginava uma visita rápida mas é lugar para passar um dia todo.Construído nos anos 1600, foi residencia de muitos nobres europeus, incluindo Dona Leopoldina, que viria a casar com D. Pedro, imperador do Brasil.
Quem viu o filme "Sissi, a Imperatriz", sabe do que estou falando; era o palácio da Imperatriz.
Quando Napoleão invadiu a Áustria, foi ali que ele ficou instalado. Foi residencia oficial dos Habsburgos durante muito tempo. É considerado pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade.
Como disse, um dia inteiro deve ser reservado para conhecer o Palácio; somente para visitar o prédio das carruagens, mesmo com pouco de pressa, levei cerca de duas horas.
E os jardins são um caso a parte; só a visita aos jardins já vale a pena.
A tardinha do dia 24, voltar ao hostel e encarar à noite mais trem, cinco horas de viagem até Praga.

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