Viajantes...

A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse: “Não há mais o que ver”, saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.

José Saramago

terça-feira, 27 de maio de 2014

Tour Europa - Segunda parte: Eslovenia, Croácia, Hungria e Áustria

Como a idéia era ir de Veneza a Ljubljana no dia 18, a noite, e acabei indo antes, em vez de chegar a noite cheguei de manhã em Gorizia. Embora tenha ônibus da estação ao centro, preferi ir a pé para aproveitar e conhecer a pequena mas bonita cidade, até a fronteira com Nova Gorica, já em solo esloveno.
De Nova Gorica a Ljubljana foi uma viagem muito interessante. O trem que parte dali é na verdade uma espécie de ônibus sobre trilhos, que sobe a serra, com paisagens deslumbrantes, até Stanjel e ali é necessário desembarcar e de ônibus ir até Sezana, onde o trem aguarda para ir a Ljubljana.


 paisagem da janela do trem de Nova Gorica a Sezana

trem de Sezana a Ljubljana

A Eslovênia é um país onde tudo é mais barato do que o restante da Europa e eu que já estava acostumado com os preços na Espanha e Itália (Portugal também é mais em conta), me surpreendi com os preços em Ljubljana, principalmente da alimentação.
Fui a pé até o hostel e após a praxe do check-in, tomar banho, trocar de roupa, fui caminhar pelos arredores.
No outro dia, sábado, bem cedo visitei o Castelo de Ljubljana (Ljubljana Grad), onde até Napoleão Bonaparte esteve; o funicular que dá acesso ao castelo ficava a duas quadras do hostel mas decidi subir a pé para aproveitar a paisagem e os jardins. Apesar da neblina e umidade, fiquei suado pela caminhada.
Acabei assistindo a um casamento no castelo, com direito a bandinha típica e músicas regionais.
Ljubljana Grad

Desci pelo funicular e fui ao centro de turistas onde aluguei uma bicicleta; de bicicleta passei o dia rodando pela cidade. Interessante o ênfase dado à bicicleta em Ljubljana; existem ciclovias por toda a parte e em alguns lugares é prioridade não só sobre os carros mas também em relação aos pedestres. Em algumas ruas não existe passeio público mas somente ciclovia.
as cores do outono na ciclovia numa das ruas de Ljubljana

A tarde rodei pelo centro, conhecendo tradicionais pontos turísticos, como a Shoemaker's Bridge (Cevljarski Most), a Butcher's Bridge - Petkovskovo nabrezje e a Ponte Tripla (Tromostovje).


 rio Lublianica que corta Ljubljana

vista do centro de Ljubljana

Tive sorte que naquele dia era dia de feira; bem no centro, ao lado do rio, várias barraquinhas que vendem de tudo, desde flores e artesanato até alimentos, não só do país como também da Itália. Oportunidade de conhecer coisas estranhas para nós como salame de veado e linguiça de javali.
feira livre no centro

Fiquei fascinado pela cidade e chateado por ter decidido ficar apenas um dia; quando montei meu roteiro imaginava encontrar uma cidade feia e chata e me surpreendi com a beleza e receptividade do povo.
Dormir cedo e acordar cedo também para mais uma etapa; de trem de Ljubljana a Zagreb, na Croácia.

O trem de Ljubljana a Zagreb costeia o tempo todo o rio Krka, em meio a floresta; paisagens maravilhosas que vale a pena ficar à janela vendo tudo passar. Essa é, na minha opinião, a grande vantagem de viajar de trem.
paisagem da janela do trem

Zagreb é uma cidade antiga, com ruas e prédios históricos. Em determinado momento lembra Lisboa, com as partes alta e baixa da cidades ligadas por um funicular.


 os modernos bondes de Zagreb

 Funicular, que dá acesso à parte alta da cidade

 área histórica da cidade

prédios antigos

Todo o dia caminhando pela cidade até anoitecer; voltar ao hostel, dormir e acordar cedo novamente para outra etapa, outra viagem de trem, dessa vez para a cidade que eu sonhava visitar, Budapeste.

A viagem de trem vale a pena, pelas paisagens, os campos, os bandos de corvos na beira da estrada, as plantações e as cidadezinhas no caminho, além de grande parte da ferrovia correr ao lado do lago Balaton, o maior lago de água doce da Europa Central, considerado o "mar da Hungria", já que a Hungria não tem saída para o mar.
Lago Balaton

paisagem da janela

Único problema foi um atraso; o trem ficou parado bastante tempo no meio do nada e não dava pra saber o que estava acontecendo. O comunicado do maquinista, em húngaro claro, era ininteligível. Um italiano mochileiro disse que tinha entendido e que o aviso era de que ficaria parado um tempo por suspeita de bomba nos trilhos. Será verdade ou o cara estava de gozação?
Certo é que depois de um tempo a viagem prosseguiu normalmente.
Chegando tarde à cidade, só restou ir ao hostel, tomar banho e sair pra comer algo.
No outro dia caminhei até o Danúbio - Duna, em húngaro - mas não pude chegar até o prédio do Parlamento, pois havia obras ali; resolvi pegar o "Giraffe" Red bus - ônibus turístico, já que a cidade é grande e muita coisa pra ver. Me arrependi de ter programado ficar pouco tempo ali.
O bus passa por muitos pontos turísticos interessantes e um dos pontos de parada é no New York Café, considerado o "mais belo café da Europa'. Um simples cafezinho custa quase 50 reais mas vale a pena pelo ambiente.
New York Café

 pose

 Ópera

parque

Em determinado momento resolvi seguir a pé e pela Széchenyi Lánchíd - Ponte das Correntes - cheguei ao funicular que dá acesso ao Castelo de Buda, lugar fantástico, com uma visão maravilhosa da cidade.
 visão privilegiada

vista da cidade

A noite saí para fazer um lanche e aproveitei para fotografar as luzes da cidade, a partir da ponte Margit Hid, com o Parlamento ao fundo e o outro lado do rio (Citadela)
 vista noturna

vista noturna com o Parlamento iluminado a esquerda

Na manhã seguinte novamente na estrada, de trem para a Áustria.

A idéia não era ir a Áustria para vistar mas apenas como passagem para Praga, outra cidade que eu desejava muito conhecer. Mesmo assim reservei dois dias para ficar na cidade, com a idéia de descansar um pouco.
Viena me impressionou; esperava uma cidade velha e feia mas surpreendeu pela beleza, limpeza, organização e um povo acolhedor.
No centro há um contraste ente os prédios antigos e históricos e a modernidade das lojas de grifes conhecidas.

 Loja da Swarovski no centro de Viena

praça em Viena, com estátua de Mozart

Visitei vários pontos turísticos como a Stephansplatz e a Catedral de Santo Estêvão.
Catedral

Caminhei bastante para conhecer a casa do Freud, mas devido a obras o prédio estava cercado de tapumes. Numa pracinha próxima fiz um pic-nic com café gelado e biscoitos típicos.
No outro dia fiz compras no centro e resolvi visitar o Palácio de Schönbrunn; imaginava uma visita rápida mas é lugar para passar um dia todo.Construído nos anos 1600, foi residencia de muitos nobres europeus, incluindo Dona Leopoldina, que viria a casar com D. Pedro, imperador do Brasil.
Quem viu o filme "Sissi, a Imperatriz", sabe do que estou falando; era o palácio da Imperatriz.
Quando Napoleão invadiu a Áustria, foi ali que ele ficou instalado. Foi residencia oficial dos Habsburgos durante muito tempo. É considerado pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade.
 Palácio de Schönbrunn

 outra vista do Palácio

jardins do Palácio

Como disse, um dia inteiro deve ser reservado para conhecer o Palácio; somente para visitar o prédio das carruagens, mesmo com pouco de pressa, levei cerca de duas horas.
E os jardins são um caso a parte; só a visita aos jardins já vale a pena.
A tardinha do dia 24, voltar ao hostel e encarar à noite mais trem, cinco horas de viagem até Praga.

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