Aí outro perrengue, dos grandes; havia reservado um hostel e ao chegar, claro, primeira providência chegar até lá para me desfazer da mochila pesada. Fui de metrô até a estação mais próxima, cerca de 3 quilometros, e ao sair da estação descobri que estava dentro de um parque do campus de uma universidade.
Quando a gente chega numa cidade estranha, tem a tendência de sempre sair para o lado contrário e foi o que fiz. Caminhei muito com mochila nas costas até descobrir que a saída era para o outro lado. Ao chegar na rua, perguntei a várias pessoas como chegar ao endereço do hostel. As respostas eram de que era "muuuiiito" longe, que não tinha ônibus que chegasse lá e táxi não passava ali; na verdade táxi você tem de ligar e pedir mas eu não tinha idéia de como fazer isso.
Resolvi voltar ao metrô e à estação Midi onde deixei a mochila e resolvi aproveitar para conhecer o centro e ao mesmo tempo procurar um hotel. Era sexta-feira e não sabia por qual motivo tudo estava fechado e só depois fiquei sabendo que era feriado oficial na Bélgica, dia de todos os santos.
Os restaurantes abertos, para turistas, eram absurdamente caros e hotéis na região somente cinco estrelas com diárias nas nuvens.
Resolvi então que, em vez de ficar na cidade, viajaria de trem para Colonia, próximo passo do roteiro. Economizaria hotel e chegaria antes à cidade que só estava previsto chegar no outro dia, pela manhã.
Voltei à estação, comprei ticket para Colonia e para esse trem tinha de ir de Bruxelas Midi para Bruxelas Nord, outra estação. Quando cheguei à Nord descobri que existiam vários hoteizinhos baratos próximo dali mas já tinha comprado ticket. Como faz falta a internet nessa hora.
Viajei para Colonia e cheguei lá tarde da noite, com chuva, muita chuva. Saí a procura de hotel nas proximidades da estação e a resposta era sempre a mesma: lotado. Num dos hotéis o recepcionista disse que estava lotado mas indicou um que talvez tivesse lugar. Chegando lá, um hotel grande, vi que estava quase vazio e imaginei que fosse muito caro mas era razoável, 57 euros a diária.
Resolvi utilizar o telefone do hotel para ligar ao Brasil, falei cerca de cinco minutos e no check-out tive uma surpresa: 84 euros a conta do telefone! Absurdo!
De manhã, dificuldade para entender a tiazinha que servia o café, falando somente em alemão; como não nos entendíamos, ela ficou com cara de indignada, disse algumas coisas que imagino não serem elogios e chamou a recepcionista e então nos entendemos em inglês.
Deixei a mochila no guarda-malas da estação e saí para conhecer parte da cidade. Já na frente da estação uma atração turística, talvez a melhor de Colonia, a Catedral - maior catedral gótica do mundo, com suas duas torres de 157 metros de altura.
Mais impressionante que o exterior é lá dentro; quando entrei alguém tocava música em um órgão de tubos. Além de já ser bonito a acústica do lugar deixa tudo maravilhoso.
O nome Colonia (Koln) vem de Colônia Agripina, homenagem à Agripina, esposa do imperador Cláudio, isso lá em 39 a.C., quando a tribo dos úbios entraram em acordo com as forças romanas e ocuparam a margem esquerda do Rio Reno. Colonia é a quarta maior cidade da Alemanha.
Depois que saí da catedral caminhei por várias ruas do centro, vazias porque era sábado, cedo.
Depois caminhei pela beira do rio Reno até a Severinsbrücke e retornei por outras ruas do centro até a estação novamente, já que, pelo meu roteiro, teria de pegar trem para Frankfurt.
De Colonia a Frankfurt, de trem, é pouco mais de uma hora. Desembarquei na estação, considerada uma das mais movimentadas da Europa, e encontrei rapidamente o hostel já reservado, a duas quadras e meia da estação. Passei na frente e pensei que não fosse o hostel, tal a apresentação do lugar. O United Hostel Frankfurt City Center tem cara de boutique, de bar noturno, qualquer coisa, menos um hostel. Lugar magnifico mas que tem uma política interessante; cobra cerca de 20 dólares por noite mas o viajante só pode ficar uma noite.
Check-in e sair para comer; encontrei um restaurante oriental com uma comida excelente a um bom preço. Claro que no outro dia fui almoçar lá também.
No outro dia caminhei pelo centro e não quis ir muito longe e nem sequer peguei metrô, porque a passagem estava comprada para Munique para final da tarde, porque não queria chegar em Munique muito tarde da noite.
frente ao prédio da Bolsa de Valores de Frankfurt
o urso e o touro significam alta e baixa das ações
A noite, lanchinho e de volta à Frankfurt Hbf; destino Munique.
Tinha reservado dois dias para Munique, o que é pouco com certeza, e fiz render esse tempo. Como cheguei a noite, direto da Hauptbahnhof para o hostel e dormir para acordar cedo. O hostel ficava, pelo mapa do Google, a seis quadras da estação mas era bastante longe e a mochila pesava. Problema é que havia trocado o nome do hostel e passei duas vezes na frente e não reconhecia, embora o GPS dizia ser ali mesmo. É ruim não conhecer uma cidade; tem uma estação do metrô bem pertinho.
Acordei bem cedo e fui conhecer a parte antiga da cidade, o Rathaus, as ruas do centro e caminhei até a Marienplatz, onde almocei um prato típico.
A tarde estava reservada para um passeio magnifíco: o Castelo de Neuschwanstein. Em Munique existe o metrô e os trens de subúrbio, que usam o mesmo sistema. Troquei do UBahn para o SBahn na Hauptbahnhof, com destino a Füssen e duas horas depois estava lá e bem na frente da estação saem ônibus para o vilarejo de Hohenschwangau.
Muitos turistas sobem até o castelo de charrete ou de ônibus mas optei por subir a pé mesmo, curtindo o visual da paisagem. É cansativo a subida mas vale a pena.
Resolvi não visitar o castelo internamente, porque demoraria muito (a fila era grande); fiz fotos do lado de fora e depois segui pela trilha que leva até a ponte Mariensbrücke, onde têm-se a melhor visão do castelo.
Encontrei um grupo de brasileiros, funcionários das lojas da Audi no Brasil que estavam em curso na Alemanha e, claro, muitos japoneses e suas câmeras à mão. Foi um nipônico que me fotografou na Mariensbrüke.
Retornei ao local do ônibus e descobri que faltava uma hora; lá, mesmo no interior, o transporte tem horários exatos e são cumpridos à risca. Mais um probleminha; ao chegar à Füssen o trem havia partido a 5 minutos. Mais uma hora de espera para voltar a Munique. O negócio foi fazer um lanchinho enquanto esperava.
No outro dia bem cedo fui a Dachau. Queria incluir nessa viagem uma visita a Auschwitz mas por questões de tempo e logística ficou difícil. Dachau substituiu essa vontade de visitar um campo de concentração.
O Campo de concentração de Dachau foi construído em 1933 pelos nazistas em uma antiga fábrica de pólvora, a cinco quilômetros de Munique e pelo SBahn (S2) é bem rápido de chegar. Um ônibus, linha 722, que sai da estação deixa bem no portão do memorial.
O portão de entrada já dá o tom do que a gente encontrará lá dentro.
Visitei o prédio principal, hoje um museu, e as celas para prisioneiros e outras salas que eram usadas pelos médicos nazistas.
Saí dali com um nó na garganta, quase deprimido com tudo que vi mas ainda faltava mais. Caminhei por todo o pátio onde existiam as trinta barracas onde os judeus viviam, que foram queimadas depois da libertação, e atualmente só uma foi reconstruída, estando no lugar das demais apenas uma placa indicativa com o número.
Ali, na barraca que foi reconstruída, pode-se ver as mesas, as camas e os banheiros como eram na época.
O mais deprimente está no final, os incineradores e os locais de execução. É pesado o clima, embora o local seja bonito, com mutias árvores e até um riacho cristalino.
Depois, na saída, vi ainda o que restou dos trilhos e da plataforma onde os trens chegavam com os prisioneiros e as fábricas onde os judeus trabalhavam.
Retornei à Munique e para aliviar um pouco resolvi conhecer algo que também tinha interesse, o parque olímpico. Nesse parque foram realizadas as olimpíadas de 1972, que ficou na história pelo atentado que resultou em 19 mortes. Oito palestinos do grupo terrorista Setembro Negro, suspeito de ser ligado à OLP, invadiram a Vila Olímpica, mataram dois atletas israelenses e fizeram 11 reféns. No desfecho da negociação restaram somente dois terroristas que mataram os reféns.
O parque é um local muito bonito, com muita área verde e onde as famílias vão passear no fim de semana.
Saindo da vila olímpica, fui até o Museu da BMW, que fica em frente. Ao lado do museu existe uma fábrica e um centro de escritórios daquela companhia.
Retornei a tardinha para o hostel para check-out e viagem de trem por toda a noite para meu penúltimo destino, Paris.
Já tinha a Alemanha como um país interessante e depois dessa viagem fiquei mais ainda admirado pelo país, sua história e seu povo.
PS: se alguém desejar ver mais fotos, principalmente de Dachau, por favor entre em contato.
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