Viajantes...

A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse: “Não há mais o que ver”, saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.

José Saramago

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Tour Europa - Quinta parte: Paris

Nas postagens anteriores falei sobre várias cidades mas neste sou obrigado a falar só de Paris. Principalmente porque, diferente das outras cidades onde fiquei um dia ou dois, em Paris foram seis dias. E é lógico que falar de Paris dá assunto.
A viagem de Munique à Paris de trem dura uma noite toda. Existem trens rápidos mas são bem mais caros e a idéia era exatamente chegar ao amanhecer. Para chegar descansado optei pelo carro dormitório e depois descobri que não era grande vantagem.
Dividir uma cabine com mais tres pessoas tira a privacidade da gente e convenhamos, é complicado dormir num beliche numa cabine pequena com tres estranhos, incluindo uma mulher.
E quando não tinha mais sono fui obrigado a ficar em pé no corredor, olhando a paisagem porque os companheiros de cabine continuaram a dormir até o fim da viagem.
Outra questão é que quase todos optam pelas cabines e descobri que os carros comuns tinham poltronas confortáveis e estavam quase vazios; dava pra dormir tranquilo ocupando duas poltronas. Aprendizado para outra viagem...
Chegamos na Gare de l'Est as seis da manhã. Primeira providencia tomar um café e depois encontrar o hostel; como as diárias dos hostels geralmente iniciam ao meio-dia, resolvi deixar a mochila na estação e caminhar um pouco nas redonzezas. Primeira vez que vejo algo semelhante: para colocar a mochila no armário alugado antes é necessário passar pelo raio-x, coisas do pânico dos europeus por terrorismo.


 Gare de L'est

Ao sair da estação, pensei ter errado a cidade; No Boulevard Magenta, Boulevard de Strasbourg e outras ruas próximas à estação, pensei estar em algum lugar da África, pois só vi africanos por todo o lado. Aquela região do 10° Arrondissement é tomada por imigrantes.
Aproveitei toda a manhã para conhecer as redondezas e me familiziar com o sistema de transporte, principalmente o metrô. Próximo do meio dia fui para o hostel onde fiz check-in, guardei a mochila e fui à rua.
Escolhi o hostel antes de viajar pelo preço e por estar próximo à estação do metrô; dei sorte pois era bom hostel e bem localizado mas não tinha me dado conta até chegar lá. Vários pontos que havia anotado como imperdíveis para visitar estavam bem ali; o Sacré Coeur, o Moulin Rouge e o próprio bairro de Montmartre, famoso nas obras de Van Gogh.
Primeiro passeio na cidade, conhecer o Sena, a Notre Dame e toda aquela região do 3° e 5º arrondissement - Arrondissement é o nome dado às 20 divisões administrativas da cidade de Paris, contadas do centro, em espiral, no sentido dos ponteiros do relógio.


Notre Dame

Além da catedral, que tem mais de 850 anos, Jardim de Luxemburgo, Pont Neuf, Les Halles, Jardin des Tuilleries, Museu d'Orsay, Museu do Louvre são algumas das atrações daquela área; também a Pont des Arts ou Ponte dos Cadeados, onde os casais costumam deixar um cadeado com seus nomes nas grades da ponte e jogar a chave no Sena. São muitos cadeados, milhares, e, pena, eu não tinha um para deixar lá...


Ponte dos Cadeados

No outro dia acordei cedo e resolvi visitar a Sacré-Coeur antes que enchesse de turistas. A Basílica de Sacré-Coeur é um templo da Igreja Católica, construída no século XIX, e está situada no monte Martre, ponto mais alto da cidade. Tem uma ótima vista da cidade. Lembrei dos "Telhados de Paris", música do Nei Lisboa.


 Sacré-Coeur

Telhados de Paris - vista de Paris do monte Martre

Depois de metrô até a estação Bir-Haiken que é a mais próxima da Torre Eiffel mas antes de ir à torre resolvi caminhar um pouco pelo bairro que foi cenário do filme Ultimo Tango em Paris.
Boulevard de Grenelle - cena de "O Último Tango em Paris"

Não adianta ser viajado e ter visto fotos, a primeira visão da torre é emocionante, mesmo entre as árvores do parque de Champ de Mars. Claro que a gente fica bobo com aquela imensa e famosa  construção de ferro e a tendência é fotografar de todos os ângulos possíveis. Inclusive atravesse a Pont d' Léna - em frente a torrre - e desci uma escadaria para fotografar de outro ângulo, as margens do Sena.
Torre, ponte e o Sena

Depois fui até a Esplanada do Trocadéro, de onde se consegue as melhores fotos da torre, com certeza, além da beleza dos jardins do Trocadéro e suas fontes.


jardins do Trocadéro


sem comentários


Diferente forma de ver a torre

Dali poderia ter ido a pé até o Arco do Triunfo mas não conhecia ainda a cidade então fui de metrô até a estação Kléber, próximo do arco. A famosa avenida Champs- Élysées começa ali na praça Charles de Gaulle e foi por ela que me aventurei, passando por lojas de grifes como M&S, Lacoste, Cartier, Louis Vuitton, enfim, o paraíso da mulherada, nem que seja só pra olhar. Para os marmanjos, tres lojas interessantes, da Renault, Peugeot e da Mercedes-Benz. Nesta última fui obrigado entrar para olhar os bólidos ali expostos, carros de rally e de fórmula.
Na loja da Peugeot chama a atenção um protótipo futurista. Aliás, falando de carros, algo que só poderia ser visto ali: estacionados juntos tres Ferrari e duas Lamborghini. Sonho!



Continuei caminhando pela avenida até a Place de la Concorde, passando por uma série de museus que se fosse visitar todos precisaria de vários dias.
Quando voltei ao hostel, a tardinha, passei no Carrefour e comprei um lanche. No refeitório encontrei um carioca que havia conhecido na noite anterior e ele estava cozinhando e conversando com uma moça portuguesa. Conversamos sobre os passeios e me falaram que ainda não haviam conhecido a torre.
Falei que tinha lido que a torre a noite era muito linda mas não queria andar a noite sozinho. Arrumei companhia; os dois se interessaram e depois de jantar, pegamos metrô e fomos até o Trocadero, onde a vista noturna da torre é fantástica. Antes passamos num bar e compramos duas garrafas de vinho.


vista noturna da torre

Entre conversa e fotos, o rapaz começou a chorar e explicou dessa forma: tanta gente nem sabe o que é isto e me sinto privilegiado por poder compartilhar esse momento; E repetia: isso não tem preço!. Tive de concordar com ele: tomar um vinho nos jardins do Trocadero, olhando a Torre Eiffel iluminada, com Paris ao fundo, não tem preço. É um privilégio para poucos.


 Parceria (foto de celular)

Não tem preço!

Dali fomos a pé até o Arco do Triunfo, caminhamos pela Champs Élysées e voltamos ao hostel para dormir. Era tarde e o outro dia era de mais passeios.
Dia 8, bem cedo, metrô à estação Paris Saint Lazare e trem RER linha C para Versailles. São 20 minutos até a estação Versailles Gauche e dez minutos a pé até o Castelo. Foi um pouco complicado porque saí de Paris com sol e cheguei em Versalles com chuva. Chuva fina mas chata.
O Palácio de Versalhes é um castelo real localizado na cidade de Versalhes, uma aldeia rural à época de sua construção, mas atualmente um subúrbio de Paris. Desde 1682, quando Luís XIV se mudou de Paris, até a família Real ser forçada a voltar à capital em 1789, a Corte de Versalhes foi o centro do poder do Antigo Regime na França.


Palácio de Versailles

Considerado um dos maiores do mundo, o Palácio de Versalhes possui 2.153 janelas, 67 escadas, 352 chaminés, 700 quartos, 1.250 lareiras e 700 hectares de parque. Famoso por muitos motivos, foi residencia de vários reis como Luis XIII, Luis XIV e o mais conhecido, talvez, Luis XV e também por ser residencia de Maria Antonieta, a última rainha da França. Ali também foi assinado o documento do fim da primeira guerra.
Cheguei à conclusão de que não tinha muito tempo e desisti de conhecer o palácio por dentro; mesmo porque não sou muito interessado em visitar esse tipo de lugar. Resolvi caminhar pelos jardins, que são muito lindos e são praticamente iguais quando foram construídos.


 jardins de Versailles

Palácio visto dos jardins

E a chuva continuava e já estava ficando tarde, resolvi voltar à Paris.
Outro perrengue: o cartão do BB não funcionou para sacar dinheiro, exatamente quando estava tentando comprar roupas de inverno na Decathlon da estação Madeleine. Solução, ligar para o Brasil, para o BB, e tentar solucionar. No horário bancário já é complicado, imagina fora de horário tentar alguma coisa. Não consegui transferir grana da conta e já estava desistindo quando a atendente disse que poderia liberar o cartão da conta para sacar em qualquer banco. Ora, se isso é possível, porque não me disseram aqui, antes de viajar? Mas aí já estava no hostel e desistido das compras.
No outro dia, sábado, fui conhecer outros lugares. Não tinha intenção de ir ao Louvre, mas em conversa com minha filha ela me disse que ir a Paris e não ver a Mona Lisa não tinha graça. Concordei e fui até lá; tem uma estação do metrô no sub-solo do museu, o que facilita bastante.


frente à famosa Mona Lisa

Visitar o Louvre requer um dia inteiro e não me dispunha a isso então fui direto ver a Mona Lisa e depois algumas outras obras interessantes. Depois caminhei pelo jardim do Louvre que é bonito também.


 jardins do Louvre

a famosa pirâmide do Louvre

Saindo do museu, segui caminhando pelas ruas, conhecendo outros lugares bastante interessantes. Fui até as Arenas de Lutéce, anfiteatro do século I, pouco visitadas pelos turistas,
Queria visitar o Panthéon, onde se encontra o Pendulo de Foucault, mas havia um aviso de que estava em obras e o Pendulo só reabriria para visitação dentro de dois anos (!). Ali também existem vários prédios interessantes, como a Faculdade de Direito de Paris, o Instituto Curie, várias outras universidades como a Sorbonne.
Já é sabido que em Paris tudo é muito caro, incluindo alimentação. Ali na rua Moufetard, próximo do Pantheon encontrei um restaurante muito bom e barato para o padrão da cidade. Recomendo! Chama-se Delicieux e é especializado em comida asiática.
Aproveitei para desembarcar do metrô duas estações antes e caminhar pelos Boulevards de Clichy e Rochechouart, passando à frente do Moulin Rouge. Chovia bastante mas não afastava os turistas da frente do Moulin. Muita gente pensa que o lugar mais fotografado de Paris é a Eiffel mas na verdade é o Moulin Rouge, que à noite fica muito interessante.


Como pretendia viajar no outro dia para Londres, passei na loja da Eurolines a duas quadras dali. Estava fechada.
No outro dia bem cedo fui novamente à Eurolines e estava fechada mas tinha um cartaz com outro endereço, próximo da Sorbonne. Lá fui eu outra vez até até a estação Cardeal Lemoine e o escritório da Eurolines de lá também estava fechado. Não me restou alternativa a não ser voltar ao hostel, descansar e resolver o problema no outro dia.
Outro perrengue?
Dia 11 de novembro, segunda-feira, acordei cedo e fui à Eurolines novamente. Cartaz na vidraça: fechado. Ora, fechado numa segunda? Procurei saber o que estava acontecendo e descobri que era feriado na França. No dia 11 de novembro a França comemora um de seus feriados nacionais mais importantes: o Dia do Armistício, que celebra o fim da Primeira Guerra Mundial.
Perdi um dia que poderia estar passeando, procurando formas de viajar. Depois de muitas tentativas, voltei ao hostel, arrumei mochilas, fui almoçar e voltei à Eurolines procurando descobrir algo naquele cartaz. Não achei nada mas tinha outro cartaz menor, dentro da loja, com um mapa dos escritórios da empresa. Vi então que tinha outro escritório próximo da estação Gallieni, da linha 3 do metrô, última etação que já é quase fora da cidade.
Claro fui até lá e, surpresa! Era um terminal da Eurolines, de onde saíam os ônibus. Comprei passagem para seis da tarde e só tive tempo de sair correndo, ir ao hostel buscar a mochila e cheguei de volta ao terminal uma hora antes da saída do ônibus, o suficiente para fazer um lanche.
Terminava o passeio por uma das minhas cidades preferidas. Que venha a Inglaterra!

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Tour Europa - Quarta parte: Bruxelas, Colonia, Frankfurt e Munique

Em Bruxelas o roteiro previa chegada dia 1º de manhã, passar o dia na cidade, dormir num hostel e viajar no outro dia bem cedo para Colonia.
Aí outro perrengue, dos grandes; havia reservado um hostel e ao chegar, claro, primeira providência chegar até lá para me desfazer da mochila pesada. Fui de metrô até a estação mais próxima, cerca de 3 quilometros, e ao sair da estação descobri que estava dentro de um parque do campus de uma universidade.
Quando a gente chega numa cidade estranha, tem a tendência de sempre sair para o lado contrário e foi o que fiz. Caminhei muito com mochila nas costas até descobrir que a saída era para o outro lado. Ao chegar na rua, perguntei a várias pessoas como chegar ao endereço do hostel. As respostas eram de que era "muuuiiito" longe, que não tinha ônibus que chegasse lá e táxi não passava ali; na verdade táxi você tem de ligar e pedir mas eu não tinha idéia de como fazer isso.
Resolvi voltar ao metrô e à estação Midi onde deixei a mochila e resolvi aproveitar para conhecer o centro e ao mesmo tempo procurar um hotel. Era sexta-feira e não sabia por qual motivo tudo estava fechado e só depois fiquei sabendo que era feriado oficial na Bélgica, dia de todos os santos.
Os restaurantes abertos, para turistas, eram absurdamente caros e hotéis na região somente cinco estrelas com diárias nas nuvens.


Boulevard

 Korte Museum

Royal Teatro

Resolvi então que, em vez de ficar na cidade, viajaria de trem para Colonia, próximo passo do roteiro. Economizaria hotel e chegaria antes à cidade que só estava previsto chegar no outro dia, pela manhã.
Voltei à estação, comprei ticket para Colonia e para esse trem tinha de ir de Bruxelas Midi para Bruxelas Nord, outra estação. Quando cheguei à Nord descobri que existiam vários hoteizinhos baratos próximo dali mas já tinha comprado ticket. Como faz falta a internet nessa hora.

Viajei para Colonia e cheguei lá tarde da noite, com chuva, muita chuva. Saí a procura de hotel nas proximidades da estação e a resposta era sempre a mesma: lotado. Num dos hotéis o recepcionista disse que estava lotado mas indicou um que talvez tivesse lugar. Chegando lá, um hotel grande, vi que estava quase vazio e imaginei que fosse muito caro mas era razoável, 57 euros a diária.
Resolvi utilizar o telefone do hotel para ligar ao Brasil, falei cerca de cinco minutos e no check-out tive uma surpresa: 84 euros a conta do telefone! Absurdo!
De manhã, dificuldade para entender a tiazinha que servia o café, falando somente em alemão; como não nos entendíamos, ela ficou com cara de indignada, disse algumas coisas que imagino não serem elogios e chamou a recepcionista e então nos entendemos em inglês.
Deixei a mochila no guarda-malas da estação e saí para conhecer parte da cidade. Já na frente da estação uma atração turística, talvez a melhor de Colonia, a Catedral - maior catedral gótica do mundo, com suas duas torres de 157 metros de altura.
Catedral de Colonia

Mais impressionante que o exterior é lá dentro; quando entrei alguém tocava música em um órgão de tubos. Além de já ser bonito a acústica do lugar deixa tudo maravilhoso.
O nome Colonia (Koln) vem de  Colônia Agripina, homenagem à Agripina, esposa do imperador Cláudio, isso lá em 39 a.C., quando a tribo dos úbios entraram em acordo com as forças romanas e ocuparam a margem esquerda do Rio Reno. Colonia é a quarta maior cidade da Alemanha.
Depois que saí da catedral caminhei por várias ruas do centro, vazias porque era sábado, cedo.
 de qualquer lugar no centro avista-se a Catedral

rua no centro com torre de TV ao fundo

Depois caminhei pela beira do rio Reno até a Severinsbrücke e retornei por outras ruas do centro até a estação novamente, já que, pelo meu roteiro, teria de pegar trem para Frankfurt.
 ponte sobre o Reno

a ponte metálica, um dos símbolos de Köln

De Colonia a Frankfurt, de trem, é pouco mais de uma hora. Desembarquei na estação, considerada uma das mais movimentadas da Europa, e encontrei rapidamente o hostel já reservado, a duas quadras e meia da estação. Passei na frente e pensei que não fosse o hostel, tal a apresentação do lugar. O United Hostel Frankfurt City Center tem cara de boutique, de bar noturno, qualquer coisa, menos um hostel. Lugar magnifico mas que tem uma política interessante; cobra cerca de 20 dólares por noite mas o viajante só pode ficar uma noite.
Check-in e sair para comer; encontrei um restaurante oriental com uma comida excelente a um bom preço. Claro que no outro dia fui almoçar lá também.
No outro dia caminhei pelo centro e não quis ir muito longe e nem sequer peguei metrô, porque a passagem estava comprada para Munique para final da tarde, porque não queria chegar em Munique muito tarde da noite.
 o rio Main

frente ao prédio da Bolsa de Valores de Frankfurt
o urso e o touro significam alta e baixa das ações


o antigo e o moderno se misturam em Frankfurt

Frankfurt am Main ou somente Frankfurt é a quinta maior cidade da Alemanha e é o maior centro financeiro da Europa. Main é o rio que corta a cidade que foi fundada pelos romanos no século I. Esse é uma das cidades que me arrependo de não ter ficado mais um dia, pois teria muito a visitar.
A noite, lanchinho e de volta à Frankfurt Hbf; destino Munique.

Tinha reservado dois dias para Munique, o que é pouco com certeza, e fiz render esse tempo. Como cheguei a noite, direto da Hauptbahnhof para o hostel e dormir para acordar cedo. O hostel ficava, pelo mapa do Google, a seis quadras da estação mas era bastante longe e a mochila pesava. Problema é que havia trocado o nome do hostel e passei duas vezes na frente e não reconhecia, embora o GPS dizia ser ali mesmo. É ruim não conhecer uma cidade; tem uma estação do metrô bem pertinho.
Acordei bem cedo e fui conhecer a parte antiga da cidade, o Rathaus, as ruas do centro e caminhei até a Marienplatz, onde almocei um prato típico.

 Rathaus

centro de Munique

A tarde estava reservada para um passeio magnifíco: o Castelo de Neuschwanstein. Em Munique existe o metrô e os trens de subúrbio, que usam o mesmo sistema. Troquei do UBahn para o SBahn na Hauptbahnhof, com destino a Füssen e duas horas depois estava lá e bem na frente da estação saem ônibus para o vilarejo de Hohenschwangau.


a paisagem da janela do trem

Muitos turistas sobem até o castelo de charrete ou de ônibus mas optei por subir a pé mesmo, curtindo o visual da paisagem. É cansativo a subida mas vale a pena.


caminho para o castelo

paisagem na subida para o castelo

Resolvi não visitar o castelo internamente, porque demoraria muito (a fila era grande); fiz fotos do lado de fora e depois segui pela trilha que leva até a ponte Mariensbrücke, onde têm-se a melhor visão do castelo.
castelo visto da ponte Mariensbrücke

Encontrei um grupo de brasileiros, funcionários das lojas da Audi no Brasil que estavam em curso na Alemanha e, claro, muitos japoneses e suas câmeras à mão. Foi um nipônico que me fotografou na Mariensbrüke.
fazendo pose 

Retornei ao local do ônibus e descobri que faltava uma hora; lá, mesmo no interior, o transporte tem horários exatos e são cumpridos à risca. Mais um probleminha; ao chegar à Füssen o trem havia partido a 5 minutos. Mais uma hora de espera para voltar a Munique. O negócio foi fazer um lanchinho enquanto esperava.
No outro dia bem cedo fui a Dachau. Queria incluir nessa viagem uma visita a Auschwitz mas por questões de tempo e logística ficou difícil. Dachau substituiu essa vontade de visitar um campo de concentração.
O Campo de concentração de Dachau foi construído em 1933 pelos nazistas em uma antiga fábrica de pólvora, a cinco quilômetros de Munique e pelo SBahn (S2) é bem rápido de chegar. Um ônibus, linha 722, que sai da estação deixa bem no portão do memorial.
O portão de entrada já dá o tom do que a gente encontrará lá dentro.


portão do campo de Dachau

Visitei o prédio principal, hoje um museu, e as celas para prisioneiros e outras salas que eram usadas pelos médicos nazistas.
corredor com acesso às celas

Saí dali com um nó na garganta, quase deprimido com tudo que vi mas ainda faltava mais. Caminhei por todo o pátio onde existiam as trinta barracas onde os judeus viviam, que foram queimadas depois da libertação, e atualmente só uma foi reconstruída, estando no lugar das demais apenas uma placa indicativa com o número.
Ali, na barraca que foi reconstruída, pode-se ver as mesas, as camas e os banheiros como eram na época.
local onde existiram os barracões dos prisioneiros

O mais deprimente está no final, os incineradores e os locais de execução. É pesado o clima, embora o local seja bonito, com mutias árvores e até um riacho cristalino.
o tenebroso Krematorium de Dachau

Depois, na saída, vi ainda o que restou dos trilhos e da plataforma onde os trens chegavam com os prisioneiros e as fábricas onde os judeus trabalhavam.
Retornei à Munique e para aliviar um pouco resolvi conhecer algo que também tinha interesse, o parque olímpico. Nesse parque foram realizadas as olimpíadas de 1972, que ficou na história pelo atentado que resultou em 19 mortes. Oito palestinos do grupo terrorista Setembro Negro, suspeito de ser ligado à OLP, invadiram a Vila Olímpica, mataram dois atletas israelenses e fizeram 11 reféns. No desfecho da negociação restaram somente dois terroristas que mataram os reféns.
O parque é um local muito bonito, com muita área verde e onde as famílias vão passear no fim de semana.
 linda área verde do parque olímpico

parque olímpico de Munique com a torre de comunicação ao fundo

Saindo da vila olímpica, fui até o Museu da BMW, que fica em frente. Ao lado do museu existe uma fábrica e um centro de escritórios daquela companhia.


 o museu da BMW

Mundo BMW - o futurista prédio da BMW

Retornei a tardinha para o hostel para check-out e viagem de trem por toda a noite para meu penúltimo destino, Paris.
Já tinha a Alemanha como um país interessante e depois dessa viagem fiquei mais ainda admirado pelo país, sua história e seu povo.



PS: se alguém desejar ver mais fotos, principalmente de Dachau, por favor entre em contato.

Tour Europa - Terceira parte: Praga, Berlin, Hamburgo e Amsterdã

Na chegada à Praga outro perrengue, mas pequeno. As vezes acontece isso; a gente olha no mapa e tudo parece perto e fácil e na realidade é diferente. O hostel que havia reservado era muito longe e caminhar até lá, com mochilão nas costas, não seria fácil.
Gosto de viajar sempre com o hotel reservado para evitar problemas, mesmo porque geralmente a gente chega cansado e quer tomar banho e descansar um pouco.
Meu Nokia N8 é meu companheiro de jornadas e por ele me guio através do GPS; ele mostrava o local e olhando vi que era longe e complicado de chegar.
Optei por voltar às proximidades da estação e procurar um hotel próximo; já imaginava pagar muito mais caro - hotéis próximos de terminais sempre são caros e os mais baratos são ruins - mas acabei descobrindo um hotel a meia quadra da praça da estação, quarto individual e mais barato do aquele hostel que tinha reservado. As vezes a solução vem fácil.
Um dos pontos turísticos que tinha anotado para visitar estava ali, praticamente em frente ao hotel. A famosa estátua "O beijo do soldado".

Estátua O Beijo do Soldado

Tinha dois dias para visitar Praga - novamente me pergunto porque não reservei mais um dia - e então fui à rua.
Caminhei pelo centro da cidade até a praça de Venceslau, a principal da cidade, até a frente do Museu Nacional de Praga, um dos principais museus da cidade.
Museu Nacional

Essa região central mescla prédios antigos com área comercial, com lojas conhecidas, como C&A.
No caminho, parada obrigatória em frente ao relógio astronômico, na torre da antiga prefeitura. O relógio tem mais de 600 anos e quando pensei que era apenas eu o turista bobo olhando pra cima, quando se aproximou da hora cheia apareceram centenas de turistas para assistir o que se repete há muito tempo.
Relógio astronômico

Nas horas cheias, das oito da manhã as oito da noite, abrem-se duas janelinhas azuis e por ali desfilam os doze apóstolos e a impressão é de que eles estão olhando a multidão lá embaixo. Depois que passa a última figura apostólica, canta um galo dourado, empoleirado acima das janelas, o relógio dá a hora, as janelas se fecham e a multidão começa a se dispersar.
Impressionante que um equipamento mecânico continue a funcionar de maneira tão precisa depois de anos. Quem quiser saber mais uma página interessante é: http://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/102000368
A praça em frente está sempre cheia de turistas , vendedores e artistas de todos os gêneros.
Já viajei bastante mas nunca encontrei um lugar tão interessante e bonito quanto o centro de Praga e principalmente o bairro judeu. São ruas e vielas com prédios antigos mas bem cuidados, com surpresas a cada esquina.
As vezes pensava que estava numa galeria de lojas, geralmente com um arco na entrada, mas na verdade era uma rua, limpa, iluminada e bem cuidada.
rua no centro

Caminhei até o fim da rua Kaprova onde há a praça (namesti) Franze Kafka e o prédio onde morou Kafka, hoje um café. Tomei um cafezinho para aproveitar o wi-fi, claro.
Casa de Kafka

Continuei caminhando pelo centro até tarde e voltei ao hostel para descansar para o outro dia que tinha mais atrações.
Caminhando pelo centro, fui até uma torre - existem várias dessas na cidade - que dá acesso a ponte Carlos, a mais famosa das pontes sobre o rio Moldava (Vltava) que corta a cidade.
entrada da ponte Carlos

Logo depois da ponte almocei numa cantina italiana, onde comi o melhor risoto al funghi da minha vida - acho que estava com fome mesmo - com uma taça de Lambrusco. Dali direto a Castelo de Praga, pertinho.
vista da cidade e do rio com suas pontes

O Castelo de Praga encontra-se na Colina Hradcany - local onde a cidade nasceu - e foi fundado no século IX. Atualmente serve como a residência presidencial e antigamente era habitado pelos reis da Boêmia. Em seu interior encontra-se Catedral de S. Vito, Torre da Pólvora, Palácio Real do Castelo de Praga, Torre Dalibor, Convento de São Jorge, Palácio Lobkowicz e a Viela Dourada - ou rua de ouro.
frente do Castelo de Praga

O Castelo de Praga ocupa uma área superior a 72,5 mil m². Por causa disso é considerado, conforme o Guinness World Records Book, o maior castelo do mundo.
Fiquei uma tarde no local mas para realmente visitar com calma o ideal seria um dia todo. No final, tomei um café na cafeteria do castelo e me senti privilegiado por ter uma oportunidade dessas.


café no castelo

vista da cidade da Colina Hradcany - Castelo de Praga

Dia 26 novamente caminhei pela cidade e fiz uso do transporte mais útil , na minha opinião, o metrô. O metrô de Praga tem 3 linhas e 59 estações.


bela paisagem

No final da tarde fui de metrô até Letnani, subúrbio da cidade, onde existem vários conjuntos habitacionais "populares", que aqui seriam de classe média, e de onde sai ônibus para o aeroporto.
Comi pizza numa lancheria, comprei chocolate e água para a viagem da noite e retornei ao hotel para pegar mochilas, rumo a Berlin.

Cheguei em Berlin com aquilo que mais atrapalha o turista: a chuva. Chuva fina e gelada mas que não atrapalhou o passeio. Perdi bastante tempo para chegar ao hostel porque foi necessário trocar de linha do metrô tres vezes. Depois de check-in, banho e troca de roupa - de novo a rotina - saí pela cidade, sempre utilizando o metrô.
Fui conhecer o Berliner Dom, a Alexanderplatz, o Sony Center, Potsdamer Platz e a torre de TV. A idéia era subir a torre, de onde dizem a vista de Berlin é maravilhosa mas a fila era muito grande. Ali paga-se o acesso e ganha uma senha e naquele momento a fila era de quase mil pessoas.


 Altes Museum

 fazendo pose

frente ao Berliner Dom

 Sony Center

torre de TV

Fiz um lanche e retornei ao hostel. Conversando com minha filha comentei que ali perto tinha o museu dos Ramones  ela me cobrou uma foto. Mesmo sendo tarde fui procurar o museu; era perto mas errei a rua e caminhei bastante mas encontrei. Como é um pub, consumindo algo não paga entrada e então tomei um café, ganhei um pin e comprei outro como lembrança para minha filha.


Pub - Museu dos Ramones

No outro dia dei sorte que não estava mais chovendo, embora o frio continuasse.
Visitei então pontos que havia relacionado, como o Reichstag, o Memorial das vitimas do holocausto e o Checkpoint Charlie - onde eram verificados os passaportes na época da guerra fria - e a parte da antiga Berlin Oriental. Fui até o East Side gallery, onde existe o último pedaço do muro de Berlin.


 Checkpoint Charlie

muro de Berlin

Nesse dia voltei cedo ao hostel para dormir cedo porque no outro dia tinha passagem comprada para Hamburgo, bem cedo da manhã.

Para Hamburgo reservei apenas um dia, com a idéia de ser caminho para Amsterdã. Poderia escolher Hannover ou Bremen mas tinha curiosidade por Hamburgo.
Hamburgo fica à beira do rio Elba, a cerca de 70 quilometros do Mar do Norte, onde o rio Elba se divide em vários canais.
Cheguei cedo na cidade. Deixei a mochila no guarda-malas e tomei o bus turístico, que sai da frente da estação. Primeira parada junto ao porto e depois resolvi não desembarcar no centro, fazendo todo  itinerário do bus até chegar na estação novamente, tendo assim uma idéia da cidade.

porto de Hamburgo

Comi algo e então fui caminhar pelo centro, passando pela igreja de St. Michaelis, Rathaus e acabei fazendo compras numa C&A, um blusão novo (o frio estava aumentando).


 canal no centro

Rathaus 

ruas do centro de Hamburgo

Voltei à estação e comprei o ticket para Amsterdã; outro perrengue: depois que já tinha comprado e pago, a atendente me explicou que tinha de trocar tres vezes de trem. Cheguei à conclusão de que, além de pagar caro (os trens na Alemanha são bons mas não são baratos) perderia muito tempo.
Desisti da viagem e para ter meu dinheiro de volta tive de pagar uma taxa.
Pedi informação à própria atendente da DB sobre terminal de ônibus e ela me disse que era só atravessar a rua; realmente bem na frente da estação tem um terminal urbano e logo adiante um terminal interurbano.
Para comprar o ticket, a empresa não aceitava cartão e foi necessário procurar um terminal bancário para sacar dinheiro. Ainda bem que tinha um a uma quadra dali.
Saquei grana, retornei ao terminal, comprei o ticket e, como tinha tempo, fiz um lanche e procurei uma lanhouse para acessar a internet e ver meus e-mails.
Na hora marcada de embarque, a surpresa: esperava um ônibus normal, com o conforto dos ônibus que já tinha viajado, mas não chegava nunca o tal ônibus. Voltei ao guichê  e perguntei se estava atrasado e a moça respondeu: Está lá!
Era um van, mais precisamente uma Sprinter; faze o quê? Passagem comprada, não ia desistir. É complicado viajar quase toda uma noite apertado numa van, sem banheiro e sem condições de tirar uma soneca. Fiquei com pena daqueles que seguiriam viagem até Paris, destino final da van.
E assim chegamos a Amsterdã.

Na Europa o normal é existirem terminais de ônibus das próprias companhias, onde você compra a passagem e embarca ali mesmo. O ônibus, melhor dizendo a van, deixou, eu e outros, num posto de troca de motoristas, próximo a estação de trens de Amsterdã, onde também é ponto final de muitas linhas de bonde.
 
 estação de trens de Amsterdã

Como era madrugada, ninguém nas ruas, bondes parados e eu não tinha sequer idéia de onde era o hostel que havia reservado. Pelo que vi no mapa, era bastante longe dali. Sorte que sempre levo meu roteiro, cheio de dicas, impresso em papel, para caso de pane ou falta de bateria no tablet. Tinha endereço de outro hostel baratinho mas também não tinha idéia de onde era, embora pelo mapa fosse mais perto.
Esperei cerca de meia hora, tentando me achar através do mapa do GPS e aconteceu um milagre, um táxi apareceu. Não tinha noção de quanto pagaria pela corrida e nem se o hostel teria lugar pra mim mas não poderia ficar ali no frio, de madrugada, num lugar abandonado e que eu não conhecia.
O táxi me deixou na esquina porque era uma rua somente de pedestres; o recepcionista disse que não tinha disponibilidade mas criei uma estória, disse a ele que tinha reservado e mostrei o endereço impresso na folha de papel. Sumiu por minutos e voltou dizendo que tinha conseguido lugar; estranho porque o quarto que conseguiu tinha seis camas e somente uma ocupada. Cheguei à conclusão de que a negativa inicial se devia à minha idade, porque já tinha lido que em alguns hostels não se permite pessoas com mais de 40 anos.
Deixei a mochila e saí à rua para comer algo; pelo que tinha observado na chegada, a rua era cheia de bares, abertos até aquela hora.
Encontrei uma lancheria com um sistema interessante que existe lá, uma espécie de vitrine com várias portinhas. Você escolhe o tipo de lanche, coloca moedas e retira o lanche escolhido.
Na entrada do hostel era impressionante o cheiro de maconha; claro, a frente tinha u café e toda vez que abria a porta para alguém sair era uma fumaceira danada. Na chegada a Amsterdã já fui apresentado os tais cafés locais.
De manhã, depois do café, peguei um táxi e fui para o hostel reservado. Era melhor mas a escada de entrada com uma inclinação estranha, que idosos e quem tem alguma deficiência não conseguiria subir.
Aí o recepcionista tirou minha dúvida sobre o atendimento no outro hostel; realmente eles não costumam aceitar pessoas com aais de 40 anos. Os hostels são feitos para a garotada. Só aceitou porque eu já tinha reservado e depois de perguntar se teria problema, já que, palavras dele "os jovens não tem hora para dormir e costumam fazer festas". Claro que nã tem problema, respondi.
A escada de acesso e o hall cheirando a canabis.
Por orientação do recepcionista, aluguei uma bicicleta, meio de transporte mais comum em Amsterdã. Assim rodei todo o dia pela cidade, conhecendo os canais, as pontes e o centro.


 típico de Amsterdã: canais, pontes e bicicleta

No outro dia fui por outro caminho, mais longo, ao centro para comprar passagem de trem para Bruxelas.
Fiquei impressionado com a quantidade de bicicletas estacionadas junto à estação e arredores. Foi difícil encontrar lugar para deixar a minha bicicleta, nos locais destinados.


"mar" de bicicletas

No caminho conheci um moinho de vento, marca registrada da Holanda. Esse deve ser o último dentro da cidade e hoje está transformado em um restaurante.


moinho de vento

A tarde devolvi a bicicleta e fui a pé até o centro.
Andando pelas ruas do centro passei pelo Red Light District, famoso e sempre procurado pelos turistas, local onde as garotas de programa ficam seminuas e expostas em vitrines.
A tardinha visitei um parque próximo do hostel e dormi cedo; no outro dia, dia 1º de novembro, a viagem era para Bruxelas.