Viajantes...

A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse: “Não há mais o que ver”, saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.

José Saramago

domingo, 1 de junho de 2014

Última parte do relato de minha viagem pela Europa, em outubro e novembro de 2013.
Viagem tranquila com o confortável ônibus da Eurolines; na verdade imaginava que os ônibus na Europa seriam melhores, já que até no Peru e Bolívia são servidas refeições a bordo e os ônibus têm canais de música e filmes. Mas não, inclusive não fazem paradas para lanche. Diferente do carro da ALSA, que viajei de Barcelona para Milão, que parou por dez minutos para comprar lanches. No meio da viagem precisei ir ao banheiro e falei com o motorista; ele parou num local de parada de caminhões para que pudesse usar o banheiro.
Problema foi antes do Eurotunel. Na aduana francesa apenas carimbaram passaportes e fomos liberados. Vinte metros depois, a aduana inglesa. Aí tivemos de desembarcar com todas as bagagens que deveriam passar pelo raio-x. Todos foram liberados, exceto os brasileiros, eu e uma senhora com a filha que estava indo estudar em Londres.
Tivemos de preencher um longo questionário e depois passar por uma sessão de perguntas. Para mim perguntaram muitas coisas e a mulher queria saber por que eu estava viajando, se tinha parentes lá, se tinha família no Brasil e quando parece esgotaram as perguntas ela lascou: Mas por quê resolveu viajar? Dá vontade de dizer umas bobagens.
Carimbos no passaporte, todos liberados, mas... e o ônibus? A Eurolines é uma empresa que atua em vários países e o ônibus que viajávamos era da Espanha, assim como o motorista. Frio de rachar e tivemos de esperar na rua enquanto o carro era revistado. Nunca tinha visto coisa igual; veio uma equipe do que suponho seja a polícia federal deles e examinaram o carro todo. Com chaves de fenda, retiraram os alto-falantes e parte da forração do ônibus.
Tão ridículo que um dos policiais insistiu para abrir a descarga do depósito do banheiro do carro; o motorista disse como abrir, ele fez, e derramou toda aquela porcaria na via. Depois ficou chamando pelo rádio, pedindo ajuda para que o local fosse limpo. E dando explicações, pelo que entendi.
Depois de praticamente desmontarem o ônibus e montarem de novo, finalmente continuamos viagem.
Aí vem a passagem pelo Eurotunel. O Eurotunel é um túnel ferroviário de 50,5 quilômetros de extensão que liga Folkestone, no Reino Unido, com Coquelles, perto de Calais, no norte da França, sob o Canal da Mancha no estreito de Dover. No seu ponto mais baixo, atinge 75 metros de profundidade, com um trecho submerso de 37,9 km.
Como funciona: um trem estaciona e todos os veículos acessam por uma porta e se posicionam dentro dos carros totalmente fechados. Na chegada, todos saem em fila indiana, na mesma ordem de entrada. A saída do túnel fica cerca de 120 quilômetros de Londres.


interior do trem do Eurotunel

Chegamos a Londres a tardinha, mas já escuro, no terminal Victoria Coach Station, que fica a cerca de cinco quadras do Palácio de Buckinghan; não confundir com a estação Victória, que é terminal de trens e metrô e fica a duas quadras dali.
Mais perrengue? As casas de câmbio todas fechadas pois já passava de seis da tarde. Sem libras não é possível sequer pegar o metrô. Sorte minha que tinha um terminal bancário, de um banco que desconheço, mas arrisquei com meu cartão do BB e consegui sacar dinheiro suficiente para ao menos pegar o metrô. Um casal que viajava conosco resolveu passar a noite ali, à espera do outro dia e da abertura da casa de câmbio. Como não tinham reservado hotel, sugeri que fossem comigo ao hostel que tinha reservado e eu pagaria o metrô mas não aceitaram. Bom, tentei ser como sou, sempre prestativo; fiz minha parte.
Peguei o metrô - em Londres chamado de Underground ou carinhosamente "tube", na estação Victória até a estação Oxford Circus onde troquei para a Bakerloo Line - interessante o por quê de se chamar Bakerloo: porque passa nas estações Baker Street e Waterloo - e desembarquei na estação Kensal Green, onde tinha como ponto de referencia para o hostel reservado.


estação Kensal Green - ao fundo o prédio do hostel 639

Já imaginava a mesma coisa de sempre, andar por lugar desconhecido, com mochilas pesadas, procurando um endereço. Foi o mais fácil de toda a viagem: o hostel ficava na frente da estação, do outro lado da rua. Muita explicação: primeiro porque eu tinha reservado para dia 10 e já era 11; expliquei que tive problemas em Paris para conseguir transporte. Depois não aceitavam euros nem dólares e hostel sempre o pagamento é feito no check-in; expliquei que a casa de cambio estava fechada. Como tinham sobrado algumas libras, paguei uma diária e o restante no outro dia.
Só consegui lugar porque prometi pagar a diária que eu tinha reservado e não comparecido; ainda bem que tinha lugar porque ter de sair dali para procurar outro hostel seria complicado. Embora ficasse cerca de 10 quilômetros do centro de Londres, achei muito bom o lugar, já que facilita ter uma estação de metrô próximo. Banho e dormir para descansar.
Como tinha previsto cinco dias em Londres e já tinha perdido um dia em Paris, precisei me organizar para cumprir meu roteiro. Decidi cortar a visita a Stonehenge, mas hoje penso que deveria ter ido.
Manhã cedo fui conhecer o Palácio de Buckinghan mas resolvi não esperar aquilo que todo turista espera, a troca da guarda.


frente do Palácio de Buckinghan

Saí caminhando pela cidade, seguindo o Tâmisa, até o Parlamento. Ali tem muita atração para turista; o Parlamento e o Big Ben, a Abadia de Westminster, a London Eye, o Parque St. James e outros lugares interessantes.


 Tâmisa

London Eye

Resolvi comprar um lanche no Tesco, mercado que fica junto da estação Westminster, e comer ali mesmo, frente ao Big Ben.


Big Ben

Depois fui conhecer o Shard London Bridge, maior edifício da Europa, passei pelo The Monument, que é uma torre de pedra de 61 metros de altura erguida para lembrar o grande incêndio de Londres de 1666, que queimou grande parte da cidade, e caminhei até a Torre de Londres.


 Shard London Bridge

The Monument

Quando ouvimos Torre de Londres, vem à memória a ponte da torre mas é muito mais que isso; são vários prédios ou "torres", formando um conjunto arquitetônico cuja construção iniciou em 1078.  Sua função era residencial até meados do século XVII e, até hoje, possui o papel de abrigar os monarcas que são coroados. Mas a sua função variou com o passar dos séculos. Também serviu como local de execução e tortura; a frase "sent to the Tower" (mandado para a Torre), significava ser aprisionado. É também na Torre de Londres que as jóias da Coroa Britânica ficam guardadas em uma camara subterrânea. E como parte do conjunto a ponte da torre, cartão postal da cidade.


 Torre de Londres

símbolo da cidade

De metrô fui conhecer Picadilly Circus, outra atração de Londres. Além do colorido dos anúncios a decoração de natal já estava montada e iluminada. Ali existem várias lojas que chamam a atenção de qualquer turista, o Planet Hollywood. uma enorme loja Mundo da M&M's, Cine Odeon, o museu Ripley's (Acredite se quiser) e lojas de departamentos onde comprei algumas lembrancinhas - presentinhos.


Picadilly Circus a tardinha, com decoração de Natal

Já era noite, retornei ao hostel cansado; o dia rendeu bastante.
No dia 13 comecei o dia conhecendo a Baker Street - rua do Sherlok Holmes - e depois fui à St John's Wood conhecer o estúdio Abbey Road e a famosa faixa de segurança imortalizada na capa do disco Abbey Road dos Beatles. Além dos Beatles, Fred Astaire, Glenn Miller, Pink Floyd, Oasis e U2 entre outros gravaram em Abbey Road.
Como cheguei cedo, pensei ser apenas um bobão fotografando uma esquina mas de repente a rua ficou cheia de gente fazendo pose para fotos, sempre que o trânsito diminuía.


a mais famosa faixa de segurança - Abbey Road

Dali fui conhecer o bairro de Nothing Hill; lembra do filme?


Nothing Hill

 Depois trem até Wembley. O metrô tem 12 linhas e a cidade é divida em seis zonas e cada zona tem um valor de tarifa. Onde termina uma linha do Underground tem o trem de subúrbio, chamado de Overground. Fui então até Kensal Green e tomei o trem para Wembley.


Estádio de Wembley a noite

Caminhei bastante para chegar ao mítico estádio de Wembley e depois de muitas voltas pela região parei para comer; depois trem novamente para o hostel porque já era noite.
No outro dia fui à região de Waterloo apenas para caminhar sem destino, almocei e retornei ao hostel porque deveria estar no aeroporto as três da tarde.


caminhando por Waterloo

Metrô até a estação Paddington e trem para Heatrow. O trem deixa dentro do aeroporto e cometi uma gafe; comprei passagem para o aeroporto e peguei o Heatrow Express, mais rápido - e mais caro - sem saber que não era aquele; tive de pagar a diferença no trem.
Chegando no aeroporto- outro perrengue? - fui direto ao balcão da Lufthansa e fiquei sabendo que tinha sido trocado meu vôo e, teoricamente, eu estava atrasado. A moça disse que haviam enviado e-mail informando. Fiquei preocupado porque aqui no Brasil você perde o vôo e é problema seu. Expliquei que não recebi e-mail porque estava em viagem e funcionária consultou o computador e perguntou se teria problema de ir por Frankfurt, em vez de Munique como era previsto.
Claro que não, o importante era embarcar. Cartão de embarque na mão e tudo resolvido. Diferença enorme; no Brasil já perdi vôo por ter chegado no chek-in menos de uma hora antes, sem direito a reclamar. 
Lá, além de resolver o problema de forma eficiente, a funcionária da Lufthansa foi sempre educada e simpática, inclusive me acompanhando depois até a área de check-in, indicando por onde deveria ir.
No check-in, depois de passar pelo raio-x, me fizeram passar a outra sala onde novamente passei pelo raio-x, com uma máquina diferente. O funcionário do aeroporto insistia que aparecia no raio-x alguma coisa de metal no meu braço direito. Que eu saiba, não tenho nada de metal  no braço e só depois de algum tempo fui liberado.
Ai foi só comprar chocolate no Free Shop e embarcar para o vôo de volta.
De Londres a Frankfurt de Airbus e de Frankfurt a São Paulo realizei um sonho, voar de Jumbo. O 747 é impressionante, como um prédio de dois andares e você imagina que aquilo não vai decolar devido tamanho e peso.


Jumbo

Viagem tranquila, janta com vinho branco alemão e soninho. Acordei já quase em São Paulo. Aí depois era esperar o vôo da Gol mas como teria de esperar cerca de seis horas, consegui trocar para outro vôo mais cedo e à noite estava em Porto Alegre.
Terminava ali uma  aventura cansativa mas que valeu a pena e dá saudades.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Tour Europa - Quinta parte: Paris

Nas postagens anteriores falei sobre várias cidades mas neste sou obrigado a falar só de Paris. Principalmente porque, diferente das outras cidades onde fiquei um dia ou dois, em Paris foram seis dias. E é lógico que falar de Paris dá assunto.
A viagem de Munique à Paris de trem dura uma noite toda. Existem trens rápidos mas são bem mais caros e a idéia era exatamente chegar ao amanhecer. Para chegar descansado optei pelo carro dormitório e depois descobri que não era grande vantagem.
Dividir uma cabine com mais tres pessoas tira a privacidade da gente e convenhamos, é complicado dormir num beliche numa cabine pequena com tres estranhos, incluindo uma mulher.
E quando não tinha mais sono fui obrigado a ficar em pé no corredor, olhando a paisagem porque os companheiros de cabine continuaram a dormir até o fim da viagem.
Outra questão é que quase todos optam pelas cabines e descobri que os carros comuns tinham poltronas confortáveis e estavam quase vazios; dava pra dormir tranquilo ocupando duas poltronas. Aprendizado para outra viagem...
Chegamos na Gare de l'Est as seis da manhã. Primeira providencia tomar um café e depois encontrar o hostel; como as diárias dos hostels geralmente iniciam ao meio-dia, resolvi deixar a mochila na estação e caminhar um pouco nas redonzezas. Primeira vez que vejo algo semelhante: para colocar a mochila no armário alugado antes é necessário passar pelo raio-x, coisas do pânico dos europeus por terrorismo.


 Gare de L'est

Ao sair da estação, pensei ter errado a cidade; No Boulevard Magenta, Boulevard de Strasbourg e outras ruas próximas à estação, pensei estar em algum lugar da África, pois só vi africanos por todo o lado. Aquela região do 10° Arrondissement é tomada por imigrantes.
Aproveitei toda a manhã para conhecer as redondezas e me familiziar com o sistema de transporte, principalmente o metrô. Próximo do meio dia fui para o hostel onde fiz check-in, guardei a mochila e fui à rua.
Escolhi o hostel antes de viajar pelo preço e por estar próximo à estação do metrô; dei sorte pois era bom hostel e bem localizado mas não tinha me dado conta até chegar lá. Vários pontos que havia anotado como imperdíveis para visitar estavam bem ali; o Sacré Coeur, o Moulin Rouge e o próprio bairro de Montmartre, famoso nas obras de Van Gogh.
Primeiro passeio na cidade, conhecer o Sena, a Notre Dame e toda aquela região do 3° e 5º arrondissement - Arrondissement é o nome dado às 20 divisões administrativas da cidade de Paris, contadas do centro, em espiral, no sentido dos ponteiros do relógio.


Notre Dame

Além da catedral, que tem mais de 850 anos, Jardim de Luxemburgo, Pont Neuf, Les Halles, Jardin des Tuilleries, Museu d'Orsay, Museu do Louvre são algumas das atrações daquela área; também a Pont des Arts ou Ponte dos Cadeados, onde os casais costumam deixar um cadeado com seus nomes nas grades da ponte e jogar a chave no Sena. São muitos cadeados, milhares, e, pena, eu não tinha um para deixar lá...


Ponte dos Cadeados

No outro dia acordei cedo e resolvi visitar a Sacré-Coeur antes que enchesse de turistas. A Basílica de Sacré-Coeur é um templo da Igreja Católica, construída no século XIX, e está situada no monte Martre, ponto mais alto da cidade. Tem uma ótima vista da cidade. Lembrei dos "Telhados de Paris", música do Nei Lisboa.


 Sacré-Coeur

Telhados de Paris - vista de Paris do monte Martre

Depois de metrô até a estação Bir-Haiken que é a mais próxima da Torre Eiffel mas antes de ir à torre resolvi caminhar um pouco pelo bairro que foi cenário do filme Ultimo Tango em Paris.
Boulevard de Grenelle - cena de "O Último Tango em Paris"

Não adianta ser viajado e ter visto fotos, a primeira visão da torre é emocionante, mesmo entre as árvores do parque de Champ de Mars. Claro que a gente fica bobo com aquela imensa e famosa  construção de ferro e a tendência é fotografar de todos os ângulos possíveis. Inclusive atravesse a Pont d' Léna - em frente a torrre - e desci uma escadaria para fotografar de outro ângulo, as margens do Sena.
Torre, ponte e o Sena

Depois fui até a Esplanada do Trocadéro, de onde se consegue as melhores fotos da torre, com certeza, além da beleza dos jardins do Trocadéro e suas fontes.


jardins do Trocadéro


sem comentários


Diferente forma de ver a torre

Dali poderia ter ido a pé até o Arco do Triunfo mas não conhecia ainda a cidade então fui de metrô até a estação Kléber, próximo do arco. A famosa avenida Champs- Élysées começa ali na praça Charles de Gaulle e foi por ela que me aventurei, passando por lojas de grifes como M&S, Lacoste, Cartier, Louis Vuitton, enfim, o paraíso da mulherada, nem que seja só pra olhar. Para os marmanjos, tres lojas interessantes, da Renault, Peugeot e da Mercedes-Benz. Nesta última fui obrigado entrar para olhar os bólidos ali expostos, carros de rally e de fórmula.
Na loja da Peugeot chama a atenção um protótipo futurista. Aliás, falando de carros, algo que só poderia ser visto ali: estacionados juntos tres Ferrari e duas Lamborghini. Sonho!



Continuei caminhando pela avenida até a Place de la Concorde, passando por uma série de museus que se fosse visitar todos precisaria de vários dias.
Quando voltei ao hostel, a tardinha, passei no Carrefour e comprei um lanche. No refeitório encontrei um carioca que havia conhecido na noite anterior e ele estava cozinhando e conversando com uma moça portuguesa. Conversamos sobre os passeios e me falaram que ainda não haviam conhecido a torre.
Falei que tinha lido que a torre a noite era muito linda mas não queria andar a noite sozinho. Arrumei companhia; os dois se interessaram e depois de jantar, pegamos metrô e fomos até o Trocadero, onde a vista noturna da torre é fantástica. Antes passamos num bar e compramos duas garrafas de vinho.


vista noturna da torre

Entre conversa e fotos, o rapaz começou a chorar e explicou dessa forma: tanta gente nem sabe o que é isto e me sinto privilegiado por poder compartilhar esse momento; E repetia: isso não tem preço!. Tive de concordar com ele: tomar um vinho nos jardins do Trocadero, olhando a Torre Eiffel iluminada, com Paris ao fundo, não tem preço. É um privilégio para poucos.


 Parceria (foto de celular)

Não tem preço!

Dali fomos a pé até o Arco do Triunfo, caminhamos pela Champs Élysées e voltamos ao hostel para dormir. Era tarde e o outro dia era de mais passeios.
Dia 8, bem cedo, metrô à estação Paris Saint Lazare e trem RER linha C para Versailles. São 20 minutos até a estação Versailles Gauche e dez minutos a pé até o Castelo. Foi um pouco complicado porque saí de Paris com sol e cheguei em Versalles com chuva. Chuva fina mas chata.
O Palácio de Versalhes é um castelo real localizado na cidade de Versalhes, uma aldeia rural à época de sua construção, mas atualmente um subúrbio de Paris. Desde 1682, quando Luís XIV se mudou de Paris, até a família Real ser forçada a voltar à capital em 1789, a Corte de Versalhes foi o centro do poder do Antigo Regime na França.


Palácio de Versailles

Considerado um dos maiores do mundo, o Palácio de Versalhes possui 2.153 janelas, 67 escadas, 352 chaminés, 700 quartos, 1.250 lareiras e 700 hectares de parque. Famoso por muitos motivos, foi residencia de vários reis como Luis XIII, Luis XIV e o mais conhecido, talvez, Luis XV e também por ser residencia de Maria Antonieta, a última rainha da França. Ali também foi assinado o documento do fim da primeira guerra.
Cheguei à conclusão de que não tinha muito tempo e desisti de conhecer o palácio por dentro; mesmo porque não sou muito interessado em visitar esse tipo de lugar. Resolvi caminhar pelos jardins, que são muito lindos e são praticamente iguais quando foram construídos.


 jardins de Versailles

Palácio visto dos jardins

E a chuva continuava e já estava ficando tarde, resolvi voltar à Paris.
Outro perrengue: o cartão do BB não funcionou para sacar dinheiro, exatamente quando estava tentando comprar roupas de inverno na Decathlon da estação Madeleine. Solução, ligar para o Brasil, para o BB, e tentar solucionar. No horário bancário já é complicado, imagina fora de horário tentar alguma coisa. Não consegui transferir grana da conta e já estava desistindo quando a atendente disse que poderia liberar o cartão da conta para sacar em qualquer banco. Ora, se isso é possível, porque não me disseram aqui, antes de viajar? Mas aí já estava no hostel e desistido das compras.
No outro dia, sábado, fui conhecer outros lugares. Não tinha intenção de ir ao Louvre, mas em conversa com minha filha ela me disse que ir a Paris e não ver a Mona Lisa não tinha graça. Concordei e fui até lá; tem uma estação do metrô no sub-solo do museu, o que facilita bastante.


frente à famosa Mona Lisa

Visitar o Louvre requer um dia inteiro e não me dispunha a isso então fui direto ver a Mona Lisa e depois algumas outras obras interessantes. Depois caminhei pelo jardim do Louvre que é bonito também.


 jardins do Louvre

a famosa pirâmide do Louvre

Saindo do museu, segui caminhando pelas ruas, conhecendo outros lugares bastante interessantes. Fui até as Arenas de Lutéce, anfiteatro do século I, pouco visitadas pelos turistas,
Queria visitar o Panthéon, onde se encontra o Pendulo de Foucault, mas havia um aviso de que estava em obras e o Pendulo só reabriria para visitação dentro de dois anos (!). Ali também existem vários prédios interessantes, como a Faculdade de Direito de Paris, o Instituto Curie, várias outras universidades como a Sorbonne.
Já é sabido que em Paris tudo é muito caro, incluindo alimentação. Ali na rua Moufetard, próximo do Pantheon encontrei um restaurante muito bom e barato para o padrão da cidade. Recomendo! Chama-se Delicieux e é especializado em comida asiática.
Aproveitei para desembarcar do metrô duas estações antes e caminhar pelos Boulevards de Clichy e Rochechouart, passando à frente do Moulin Rouge. Chovia bastante mas não afastava os turistas da frente do Moulin. Muita gente pensa que o lugar mais fotografado de Paris é a Eiffel mas na verdade é o Moulin Rouge, que à noite fica muito interessante.


Como pretendia viajar no outro dia para Londres, passei na loja da Eurolines a duas quadras dali. Estava fechada.
No outro dia bem cedo fui novamente à Eurolines e estava fechada mas tinha um cartaz com outro endereço, próximo da Sorbonne. Lá fui eu outra vez até até a estação Cardeal Lemoine e o escritório da Eurolines de lá também estava fechado. Não me restou alternativa a não ser voltar ao hostel, descansar e resolver o problema no outro dia.
Outro perrengue?
Dia 11 de novembro, segunda-feira, acordei cedo e fui à Eurolines novamente. Cartaz na vidraça: fechado. Ora, fechado numa segunda? Procurei saber o que estava acontecendo e descobri que era feriado na França. No dia 11 de novembro a França comemora um de seus feriados nacionais mais importantes: o Dia do Armistício, que celebra o fim da Primeira Guerra Mundial.
Perdi um dia que poderia estar passeando, procurando formas de viajar. Depois de muitas tentativas, voltei ao hostel, arrumei mochilas, fui almoçar e voltei à Eurolines procurando descobrir algo naquele cartaz. Não achei nada mas tinha outro cartaz menor, dentro da loja, com um mapa dos escritórios da empresa. Vi então que tinha outro escritório próximo da estação Gallieni, da linha 3 do metrô, última etação que já é quase fora da cidade.
Claro fui até lá e, surpresa! Era um terminal da Eurolines, de onde saíam os ônibus. Comprei passagem para seis da tarde e só tive tempo de sair correndo, ir ao hostel buscar a mochila e cheguei de volta ao terminal uma hora antes da saída do ônibus, o suficiente para fazer um lanche.
Terminava o passeio por uma das minhas cidades preferidas. Que venha a Inglaterra!

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Tour Europa - Quarta parte: Bruxelas, Colonia, Frankfurt e Munique

Em Bruxelas o roteiro previa chegada dia 1º de manhã, passar o dia na cidade, dormir num hostel e viajar no outro dia bem cedo para Colonia.
Aí outro perrengue, dos grandes; havia reservado um hostel e ao chegar, claro, primeira providência chegar até lá para me desfazer da mochila pesada. Fui de metrô até a estação mais próxima, cerca de 3 quilometros, e ao sair da estação descobri que estava dentro de um parque do campus de uma universidade.
Quando a gente chega numa cidade estranha, tem a tendência de sempre sair para o lado contrário e foi o que fiz. Caminhei muito com mochila nas costas até descobrir que a saída era para o outro lado. Ao chegar na rua, perguntei a várias pessoas como chegar ao endereço do hostel. As respostas eram de que era "muuuiiito" longe, que não tinha ônibus que chegasse lá e táxi não passava ali; na verdade táxi você tem de ligar e pedir mas eu não tinha idéia de como fazer isso.
Resolvi voltar ao metrô e à estação Midi onde deixei a mochila e resolvi aproveitar para conhecer o centro e ao mesmo tempo procurar um hotel. Era sexta-feira e não sabia por qual motivo tudo estava fechado e só depois fiquei sabendo que era feriado oficial na Bélgica, dia de todos os santos.
Os restaurantes abertos, para turistas, eram absurdamente caros e hotéis na região somente cinco estrelas com diárias nas nuvens.


Boulevard

 Korte Museum

Royal Teatro

Resolvi então que, em vez de ficar na cidade, viajaria de trem para Colonia, próximo passo do roteiro. Economizaria hotel e chegaria antes à cidade que só estava previsto chegar no outro dia, pela manhã.
Voltei à estação, comprei ticket para Colonia e para esse trem tinha de ir de Bruxelas Midi para Bruxelas Nord, outra estação. Quando cheguei à Nord descobri que existiam vários hoteizinhos baratos próximo dali mas já tinha comprado ticket. Como faz falta a internet nessa hora.

Viajei para Colonia e cheguei lá tarde da noite, com chuva, muita chuva. Saí a procura de hotel nas proximidades da estação e a resposta era sempre a mesma: lotado. Num dos hotéis o recepcionista disse que estava lotado mas indicou um que talvez tivesse lugar. Chegando lá, um hotel grande, vi que estava quase vazio e imaginei que fosse muito caro mas era razoável, 57 euros a diária.
Resolvi utilizar o telefone do hotel para ligar ao Brasil, falei cerca de cinco minutos e no check-out tive uma surpresa: 84 euros a conta do telefone! Absurdo!
De manhã, dificuldade para entender a tiazinha que servia o café, falando somente em alemão; como não nos entendíamos, ela ficou com cara de indignada, disse algumas coisas que imagino não serem elogios e chamou a recepcionista e então nos entendemos em inglês.
Deixei a mochila no guarda-malas da estação e saí para conhecer parte da cidade. Já na frente da estação uma atração turística, talvez a melhor de Colonia, a Catedral - maior catedral gótica do mundo, com suas duas torres de 157 metros de altura.
Catedral de Colonia

Mais impressionante que o exterior é lá dentro; quando entrei alguém tocava música em um órgão de tubos. Além de já ser bonito a acústica do lugar deixa tudo maravilhoso.
O nome Colonia (Koln) vem de  Colônia Agripina, homenagem à Agripina, esposa do imperador Cláudio, isso lá em 39 a.C., quando a tribo dos úbios entraram em acordo com as forças romanas e ocuparam a margem esquerda do Rio Reno. Colonia é a quarta maior cidade da Alemanha.
Depois que saí da catedral caminhei por várias ruas do centro, vazias porque era sábado, cedo.
 de qualquer lugar no centro avista-se a Catedral

rua no centro com torre de TV ao fundo

Depois caminhei pela beira do rio Reno até a Severinsbrücke e retornei por outras ruas do centro até a estação novamente, já que, pelo meu roteiro, teria de pegar trem para Frankfurt.
 ponte sobre o Reno

a ponte metálica, um dos símbolos de Köln

De Colonia a Frankfurt, de trem, é pouco mais de uma hora. Desembarquei na estação, considerada uma das mais movimentadas da Europa, e encontrei rapidamente o hostel já reservado, a duas quadras e meia da estação. Passei na frente e pensei que não fosse o hostel, tal a apresentação do lugar. O United Hostel Frankfurt City Center tem cara de boutique, de bar noturno, qualquer coisa, menos um hostel. Lugar magnifico mas que tem uma política interessante; cobra cerca de 20 dólares por noite mas o viajante só pode ficar uma noite.
Check-in e sair para comer; encontrei um restaurante oriental com uma comida excelente a um bom preço. Claro que no outro dia fui almoçar lá também.
No outro dia caminhei pelo centro e não quis ir muito longe e nem sequer peguei metrô, porque a passagem estava comprada para Munique para final da tarde, porque não queria chegar em Munique muito tarde da noite.
 o rio Main

frente ao prédio da Bolsa de Valores de Frankfurt
o urso e o touro significam alta e baixa das ações


o antigo e o moderno se misturam em Frankfurt

Frankfurt am Main ou somente Frankfurt é a quinta maior cidade da Alemanha e é o maior centro financeiro da Europa. Main é o rio que corta a cidade que foi fundada pelos romanos no século I. Esse é uma das cidades que me arrependo de não ter ficado mais um dia, pois teria muito a visitar.
A noite, lanchinho e de volta à Frankfurt Hbf; destino Munique.

Tinha reservado dois dias para Munique, o que é pouco com certeza, e fiz render esse tempo. Como cheguei a noite, direto da Hauptbahnhof para o hostel e dormir para acordar cedo. O hostel ficava, pelo mapa do Google, a seis quadras da estação mas era bastante longe e a mochila pesava. Problema é que havia trocado o nome do hostel e passei duas vezes na frente e não reconhecia, embora o GPS dizia ser ali mesmo. É ruim não conhecer uma cidade; tem uma estação do metrô bem pertinho.
Acordei bem cedo e fui conhecer a parte antiga da cidade, o Rathaus, as ruas do centro e caminhei até a Marienplatz, onde almocei um prato típico.

 Rathaus

centro de Munique

A tarde estava reservada para um passeio magnifíco: o Castelo de Neuschwanstein. Em Munique existe o metrô e os trens de subúrbio, que usam o mesmo sistema. Troquei do UBahn para o SBahn na Hauptbahnhof, com destino a Füssen e duas horas depois estava lá e bem na frente da estação saem ônibus para o vilarejo de Hohenschwangau.


a paisagem da janela do trem

Muitos turistas sobem até o castelo de charrete ou de ônibus mas optei por subir a pé mesmo, curtindo o visual da paisagem. É cansativo a subida mas vale a pena.


caminho para o castelo

paisagem na subida para o castelo

Resolvi não visitar o castelo internamente, porque demoraria muito (a fila era grande); fiz fotos do lado de fora e depois segui pela trilha que leva até a ponte Mariensbrücke, onde têm-se a melhor visão do castelo.
castelo visto da ponte Mariensbrücke

Encontrei um grupo de brasileiros, funcionários das lojas da Audi no Brasil que estavam em curso na Alemanha e, claro, muitos japoneses e suas câmeras à mão. Foi um nipônico que me fotografou na Mariensbrüke.
fazendo pose 

Retornei ao local do ônibus e descobri que faltava uma hora; lá, mesmo no interior, o transporte tem horários exatos e são cumpridos à risca. Mais um probleminha; ao chegar à Füssen o trem havia partido a 5 minutos. Mais uma hora de espera para voltar a Munique. O negócio foi fazer um lanchinho enquanto esperava.
No outro dia bem cedo fui a Dachau. Queria incluir nessa viagem uma visita a Auschwitz mas por questões de tempo e logística ficou difícil. Dachau substituiu essa vontade de visitar um campo de concentração.
O Campo de concentração de Dachau foi construído em 1933 pelos nazistas em uma antiga fábrica de pólvora, a cinco quilômetros de Munique e pelo SBahn (S2) é bem rápido de chegar. Um ônibus, linha 722, que sai da estação deixa bem no portão do memorial.
O portão de entrada já dá o tom do que a gente encontrará lá dentro.


portão do campo de Dachau

Visitei o prédio principal, hoje um museu, e as celas para prisioneiros e outras salas que eram usadas pelos médicos nazistas.
corredor com acesso às celas

Saí dali com um nó na garganta, quase deprimido com tudo que vi mas ainda faltava mais. Caminhei por todo o pátio onde existiam as trinta barracas onde os judeus viviam, que foram queimadas depois da libertação, e atualmente só uma foi reconstruída, estando no lugar das demais apenas uma placa indicativa com o número.
Ali, na barraca que foi reconstruída, pode-se ver as mesas, as camas e os banheiros como eram na época.
local onde existiram os barracões dos prisioneiros

O mais deprimente está no final, os incineradores e os locais de execução. É pesado o clima, embora o local seja bonito, com mutias árvores e até um riacho cristalino.
o tenebroso Krematorium de Dachau

Depois, na saída, vi ainda o que restou dos trilhos e da plataforma onde os trens chegavam com os prisioneiros e as fábricas onde os judeus trabalhavam.
Retornei à Munique e para aliviar um pouco resolvi conhecer algo que também tinha interesse, o parque olímpico. Nesse parque foram realizadas as olimpíadas de 1972, que ficou na história pelo atentado que resultou em 19 mortes. Oito palestinos do grupo terrorista Setembro Negro, suspeito de ser ligado à OLP, invadiram a Vila Olímpica, mataram dois atletas israelenses e fizeram 11 reféns. No desfecho da negociação restaram somente dois terroristas que mataram os reféns.
O parque é um local muito bonito, com muita área verde e onde as famílias vão passear no fim de semana.
 linda área verde do parque olímpico

parque olímpico de Munique com a torre de comunicação ao fundo

Saindo da vila olímpica, fui até o Museu da BMW, que fica em frente. Ao lado do museu existe uma fábrica e um centro de escritórios daquela companhia.


 o museu da BMW

Mundo BMW - o futurista prédio da BMW

Retornei a tardinha para o hostel para check-out e viagem de trem por toda a noite para meu penúltimo destino, Paris.
Já tinha a Alemanha como um país interessante e depois dessa viagem fiquei mais ainda admirado pelo país, sua história e seu povo.



PS: se alguém desejar ver mais fotos, principalmente de Dachau, por favor entre em contato.